Qual a melhor bomba para poço artesiano é a que o seu poço aguenta, não a mais potente nem a da marca mais conhecida. Quatro números decidem: a profundidade da água durante o bombeamento (o nível dinâmico), o diâmetro interno do revestimento, a vazão medida no teste e a energia disponível. Com eles, a escolha fica entre submersa, injetora, vibratória (a “sapo”), centrífuga de superfície e solar. Os limites de cada uma vêm de catálogos e manuais de fabricantes e de cartilhas do Serviço Geológico do Brasil, conferidos em 24 de outubro de 2026.
Quase todo poço chamado de artesiano precisa de bomba; o que sobe sozinho é exceção, como mostra o guia sobre quando o poço jorra sem bomba. E quem costuma responder à pergunta é quem vende: no SE Ranking, em coleta de 23 de outubro de 2026, dos dez primeiros resultados do Google para “bomba de água para poço artesiano”, sete eram lojas, marketplaces ou comparadores de preço, dois eram perfuradoras e um era fabricante. Na mesma coleta, “bomba sapo” somava 33.100 buscas mensais, quase o dobro de “bomba submersa” (18.100), embora as sapos 650, 800 e 900 da Anauger não caibam num poço tubular de 4 ou 6 polegadas.
Os quatro números que decidem a bomba
Todos estão no relatório da perfuradora. Segundo a cartilha de poços do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o ensaio de bombeamento, de 24 horas com pelo menos 4 de recuperação, define a vazão que pode ser retirada sem prejudicar o poço e o aquífero.
- Nível dinâmico. A profundidade da água com a bomba ligada, medida da boca do poço. A bomba trabalha contra ele, não contra o fundo do furo. Veja como a água chega do aquífero até a bomba.
- Diâmetro interno do revestimento. Define o que cabe: submersas de 3 e 4 polegadas entram em poço de 4; a injetora pede 4 ou 6, conforme o injetor; as vibratórias 650, 800 e 900 da Anauger pedem 7.
- Vazão do teste. É o teto. Bomba que tira mais do que o poço repõe faz o nível descer até ela, e todos os manuais consultados proíbem trabalhar a seco. A vazão também precisa caber na vazão que o órgão autoriza na outorga.
- Energia. Monofásica de 220 V, trifásica de 380 V ou nenhuma rede, caso do bombeamento solar.
A árvore de decisão, do nível da água ao tipo de bomba
Os limites são dos modelos citados neste guia; outros modelos variam um pouco.
- Não há rede elétrica, ou a ligação é cara? Bomba solar.
- A água fica a menos de 8 metros da bomba, mesmo bombeando? Centrífuga de superfície, para vazões pequenas.
- Nível dinâmico até 40 metros em poço de 4 polegadas, ou até 55 em poço de 6, com consumo pequeno? Injetora, com o motor fora do poço.
- Poço largo (cisterna, cacimba, revestimento de 7 polegadas) e altura total abaixo de 70 metros? Vibratória.
- Nenhuma das anteriores, ou poço tubular profundo? Submersa, que o SGB aponta como o equipamento de extração do poço tubular.
Tabela: tipo de bomba, profundidade útil, vazão e energia
Montada por nós com os catálogos e manuais citados no texto. Profundidade útil é o nível dinâmico ou a altura total máxima do modelo.
| Tipo de bomba | Profundidade útil | Vazão típica | Energia | Quando usar |
|---|---|---|---|---|
| Centrífuga de superfície | Sucção até cerca de 8 m | Abaixo de 3.600 L/h (CPRM) | Elétrica ou a combustível | Cacimba, cisterna e poço raso |
| Injetora (Thebe TJ-16 e TPJ-16) | Nível dinâmico até 40 m (poço de 4″) e 55 m (poço de 6″) | Até 6,1 e 9,6 m³/h com água a 6 a 8 m; menos de 1 m³/h no limite | Motor de 0,75 a 3 cv, fora do poço | Nível raso a médio, consumo pequeno |
| Vibratória (Anauger 900) | Altura total até 70 m | 700 a 2.300 L/h | 127, 220 ou 254 V; 450 W | Cisterna, poço escavado e poço largo |
| Submersa (Ebara 3BPS e 4BPS) | Até 134,5 m (3BPS) e 386 m (4BPS) | Até 3,8 m³/h (3BPS) e 27,6 m³/h (4BPS) | Monofásica ou trifásica | Poço tubular de 4 polegadas ou mais |
| Solar (Anauger P100 e Ebara Ícaros) | 40 m (P100, poço de 6″); cerca de 100 m (Ícaros de 2.200 W, poço de 4″) | 570 a 1.500 L/h (P100); 1,5 m³/h a 100 m (Ícaros) | Painéis, sem rede e sem bateria | Sítio sem energia, com reservatório |
Submersa: o padrão do poço tubular
A submersa junta motor e bombeador num conjunto que desce no poço preso ao tubo edutor. Segundo o SGB, a potência do motor e o número de estágios saem da vazão do ensaio e da altura até o reservatório.
O manual da linha 3BPS da Ebara indica a bomba de 3 polegadas para poço de 4 e desaconselha o uso em poço de 6 ou mais, porque o motor é resfriado pela água que passa em volta dele, a no mínimo 0,08 m/s. Em revestimento largo, ou com a bomba entre os filtros, o catálogo pede uma camisa de sucção para forçar o fluxo. Na mesma marca, a linha 4BPS chega a 27,6 m³/h e 386 metros de altura em poço de 4 polegadas, e a BHS cobre poços de 4 a 12 polegadas, com até 650 m³/h. Na instalação, os manuais pedem:
- bomba abaixo do nível dinâmico, com a submergência mínima do modelo (de 3 a 6 metros na 4BPS);
- acima dos filtros e a pelo menos 10 metros do fundo, para não puxar areia (3BPS);
- água com até 40 g/m³ de areia (3BPS) ou 50 g/m³ (4BPS); acima disso, o caminho é a limpeza que tira a areia do poço antes da bomba nova.
Altura manométrica: a conta que define a potência
Altura manométrica total é o que a bomba precisa vencer, em metros de coluna d’água: o desnível, do nível dinâmico até o ponto mais alto de entrega, mais a perda de carga, gasta com o atrito nos tubos e conexões. Um exemplo:
- Nível dinâmico do teste: 50 metros.
- Caixa d’água 8 metros acima da boca do poço: desnível de 58 metros.
- Perda de carga: 100 metros de tubo galvanizado de 1 1/4 polegada perdem 1,77 metro com 2 m³/h, pela tabela de perda de carga do catálogo de submersas da Ebara.
- Curvas e válvulas somam um pouco. Total: perto de 60 metros.
Usar a profundidade do furo no lugar do nível dinâmico superdimensiona a bomba; esquecer a altura da caixa faz o contrário.
Como ler a curva da bomba
A curva mostra quanta água a bomba entrega em cada altura (altura no eixo vertical, vazão no horizontal), e o catálogo costuma repetir os pontos numa tabela. Com os 60 metros do exemplo e um poço que rendeu 2 m³/h no teste:
| Modelo (Ebara 3BPS) | Potência | Altura com 2 m³/h | Altura com 2,5 m³/h | Altura sem vazão |
|---|---|---|---|---|
| 3BPS2/14 | 0,75 HP | 61,0 m | 44,4 m | 84,1 m |
| 3BPS2/18 | 1 HP | 79,5 m | 60,7 m | 107,6 m |
A de 0,75 HP entrega 2 m³/h a 61 metros e casa com o poço. A de 1 HP, nos mesmos 60 metros, empurra perto de 2,5 m³/h, 25% acima do teste: o nível desce mais e a bomba arrisca trabalhar com pouca água. Mais potência, aqui, piora a instalação.
A Anauger faz a mesma conta para a vibratória: 25 metros de desnível e 200 metros de mangueira dão 40 metros de altura total, e a bomba de 450 W entrega 1.000 litros por hora, segundo o manual das vibratórias 650, 800, 900 e Sappo.
Injetora: motor fora do poço, limite na profundidade
A injetora fica na superfície e manda parte da água bombeada de volta para baixo até um bico injetor, cujo jato arrasta a água do poço para cima. São dois canos dentro do poço, como descreve a cartilha de poços tubulares da CPRM.
No catálogo de bombas de superfície da Ebara, a série TJ-16 da Thebe, para poço de 4 polegadas, vai de 6 a 40 metros de nível dinâmico: o modelo de 2 cv entrega 6,1 m³/h com a água a 6 metros, e as versões para 40 metros, de 0,3 a 0,8 m³/h. A TPJ-16, para poço de 6, chega a 55 metros. O manual pede a bomba a no máximo 4 metros da boca do poço e proíbe usá-la para retirar areia.
A vantagem é ter motor e quadro fora do poço. O preço é a vazão: com a água a 50 metros, a TPJ-16 de 3 cv entrega 1,1 m³/h, enquanto a submersa de 1 HP da 3BPS entrega 2 m³/h mesmo com 79,5 metros de altura total.

Bomba sapo (vibratória): cisterna e poço largo
A vibratória desce pendurada na mangueira e, no lugar do quadro de comando, pede interruptor e disjuntor bipolares. O limite é o diâmetro: os modelos 650, 800, 900 e Sappo da Anauger pedem poço com 7 polegadas (180 mm) de diâmetro interno e ficam centralizados, a 40 cm do fundo, sem válvula ou registro que restrinja a saída.
A 900, de 450 W, entrega 2.300 litros por hora sem altura, 1.000 a 40 metros e 700 a 70 metros, segundo a ficha da Anauger 900. Para tubular de 6 polegadas, a marca tem modelo próprio, com 65 metros e até 2.200 litros por hora; em poço de 4, nenhum desses cabe. É a escolha natural para poço caipira, cacimba ou amazonas e para cisterna.

Centrífuga de superfície: só com a água perto da boca
A centrífuga fica fora do poço e puxa a água por sucção, com válvula de pé na ponta do cano e escorva (carcaça e cano cheios de água) antes de ligar. A CPRM a indica para menos de 3.600 litros por hora e baixas profundidades, e o manual de bombas de superfície da Ebara lista a sucção acima de 8 metros entre as causas de bomba sem vazão. Em poço tubular profundo, não alcança.
Bomba solar: quando não há rede elétrica
O bombeamento solar troca a rede por painéis e um controlador, sem bateria: bombeia enquanto há sol e guarda a água numa caixa elevada.
- Vibratória solar. A Anauger Solar P100 usa um módulo, eleva até 40 metros (570 litros por hora nessa altura) e pede poço de 6 polegadas. As vazões do manual da linha solar da Anauger valem para irradiação de 6,0 kWh/m² por dia.
- Submersa solar. No catálogo de bombeamento solar Ícaros, da Ebara, o conjunto de 2.200 W para poço de 4 polegadas usa 8 painéis de 550 W e entrega 1,5 m³/h a 100 metros pela curva mínima, a que o fabricante manda usar.
No pregão da Codevasf para poços na Paraíba e em Pernambuco, com orçamento de julho de 2025, o kit com bomba de 1.500 W e módulos de 2.200 Wp foi estimado em R$ 6.900,38 sem BDI, e o de 2.200 W com 3.300 Wp, em R$ 9.795,96, segundo o termo de referência do pregão 90065/2025. A montagem aparece como item separado.

Parte elétrica: tensão, cabo, quadro e quem faz a ligação
Segundo o SGB, o quadro da submersa reúne contator, relé de proteção, fusíveis, para-raios e capacitores (nas redes monofásicas), e o cabo é dimensionado pela potência e pela distância até o quadro. No catálogo de 4 polegadas da Ebara, os motores nacionais monofásicos de 220 V vão até 5 HP, e os trifásicos chegam a 12,5 HP. A tolerância de tensão muda com o modelo: 10% na 3BPS e 5% na vibratória da Anauger.
A ligação da bomba, do quadro e do aterramento é serviço de eletricista habilitado. A norma dessas instalações é a ABNT NBR 5410:2004, versão corrigida de 2008, em vigor segundo o catálogo da ABNT, e o manual da 3BPS manda fazer o aterramento conforme ela.
Não mexa no quadro nem no cabo da bomba com a energia ligada, e não faça emendas por conta própria. A submersa trabalha dentro da água, com o cabo emendado a dezenas de metros de profundidade. Emenda, bitola, proteções e aterramento ficam com eletricista habilitado.
Quanto custa a bomba
Pesam a altura e a vazão. Em 24 de outubro de 2026, uma submersa de 1 HP para poço de 4 polegadas saía por pouco mais de R$ 1.200 no varejo; em orçamentos públicos de 2025, bombas para 96 e 300 metros de coluna passavam de R$ 9 mil e R$ 13 mil. A lista está nos preços de bomba, cabo e tubo edutor em editais, e o orçamento completo mostra o peso da bomba no orçamento.
Lista de conferência antes de comprar
- Relatório com nível estático, nível dinâmico e vazão do ensaio.
- Diâmetro interno do revestimento, medido.
- Altura manométrica calculada, com as perdas de carga.
- Ponto de trabalho dentro da faixa da curva, com vazão até a do teste e a da outorga.
- Tensão disponível e distância até o quadro.
- Submergência e distância do fundo pedidas no manual.
- Orçamento que diga se quadro, cabo, tubo edutor, válvula de retenção e instalação estão incluídos.
Instalada a bomba, entram as revisões periódicas da bomba e do poço; anotar todo mês o consumo de água e o de energia, como recomenda o SGB, mostra cedo quando algo muda.
Sobre os números deste guia. São dos modelos citados, em catálogos e manuais abertos em 24/10/2026. O texto é informativo e não substitui o dimensionamento feito por profissional com os dados do teste do seu poço, nem o eletricista habilitado.
Perguntas frequentes
Qual a melhor bomba para poço artesiano de 100 metros?
Quem decide é o nível dinâmico, não a profundidade do furo. Com a água bombeada a 60 ou 70 metros, só a submersa alcança com folga: as injetoras consultadas param em 55 metros de nível dinâmico, e a vibratória de 450 W, em 70 metros de altura total. A potência sai da curva do fabricante.
Bomba sapo serve para poço artesiano?
Só se o diâmetro permitir. As sapos 650, 800 e 900 da Anauger pedem 7 polegadas de diâmetro interno, e a marca tem um modelo para tubular de 6 polegadas, com até 65 metros de elevação. Em poço de 4 polegadas elas não cabem, e a vazão fica entre 700 e 2.300 litros por hora no modelo de 450 W.
Bomba injetora puxa água de quantos metros?
Nos modelos da Thebe consultados, até 40 metros de nível dinâmico em poço de 4 polegadas e até 55 metros em poço de 6. Perto desses limites, a vazão cai para menos de 1 m³/h; com a água a 6 ou 8 metros, a mesma família entrega de 3,6 a 9,6 m³/h, conforme o motor.
Uma bomba submersa de 1 cv puxa água de quantos metros?
Depende da vazão. A submersa de 1 HP da linha 3BPS da Ebara sustenta 107,6 metros sem entregar água, 79,5 metros com 2 m³/h e 41,9 metros com 3 m³/h. Outra bomba de 1 cv tem outra curva, por isso a pergunta útil é quantos litros por hora ela entrega na altura do seu poço.
Bomba solar funciona em poço artesiano?
Funciona, se for dimensionada para a altura e para o sol do lugar. A vibratória solar eleva até 40 metros em poço de 6 polegadas, e conjuntos submersos para poço de 4 chegam a 100 metros com 1,5 m³/h, usando 8 painéis de 550 W. Sem bateria, bombeia só de dia.
Bomba submersa precisa de energia trifásica?
Não necessariamente. O SGB cita submersas monofásicas de 220 V e trifásicas de 380 V, e no catálogo de 4 polegadas da Ebara os motores monofásicos nacionais vão até 5 HP. Em qualquer caso, a ligação é serviço de eletricista habilitado, seguindo a ABNT NBR 5410.
