Análise de água de poço: qual exame pedir em cada caso, kit ou laboratório, onde fazer, como coletar a amostra e quanto custa

Resumo do guia
A análise de água de poço compara a água com a Portaria GM/MS 888/2021, e o pacote certo depende do motivo: poço novo, rotina, enchente, limpeza, outorga ou venda de água. Veja o que cada exame mede, preços de laboratórios públicos e universitários, onde fazer, como coletar e como ler o laudo.
Conferido
24/10/2026
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Frascos de amostra para análise de água de poço numa caixa térmica com gelo, no banco de uma caminhonete a caminho do laboratório
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A análise de água de poço é o exame de laboratório que compara a água do seu poço com o padrão de potabilidade da Portaria GM/MS nº 888/2021. Para o poço de uma casa, o ponto de partida é a microbiológica, que procura coliformes totais e E. coli, somada a uma físico-química básica. Em tabelas públicas de laboratórios de universidades, a microbiológica custa de R$ 53 a R$ 89, e um pacote com as duas, de R$ 308 a R$ 538. Veja o que pedir em cada caso, onde fazer, como coletar e como ler o laudo.

Na coleta do SE Ranking de 23 de outubro de 2026 para “analise de agua de poço” (590 buscas mensais no Brasil), os dez primeiros resultados do Google eram seis laboratórios privados, uma página de kits do Mercado Livre, uma perfuradora, uma empresa de tratamento de água e uma consultoria de outorga. Entre os 84 resultados orgânicos, nenhum vinha de órgão de governo ou de saúde: quem pesquisa encontra quase só quem vende o serviço.

Passo 1: defina por que você vai analisar a água

O motivo decide o pacote. A Portaria 888 não obriga o dono do poço de uma família a fazer análise periódica: esse poço fica sujeito à vigilância do poder público (art. 4º). A análise entra nestas situações:

  • Poço novo: a Funasa manda desinfetar o poço ao fim da obra e coletar só depois que sumir o cheiro de cloro. Peça o pacote completo, que vira referência.
  • Poço antigo: o CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, recomenda testar o poço particular ao menos uma vez por ano. Na rotina, a microbiológica basta; repita se a água mudar de cor, cheiro ou gosto.
  • Depois de enchente: o guia de enchentes de 2026 da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul pede análise laboratorial antes de consumir água de poço que a enchente possa ter atingido. Inclua nitrato, que a Funasa liga ao esgoto.
  • Depois da limpeza: um termo de referência de 2025 da Prefeitura de Sapucaia do Sul (RS) exige coletar só depois do teste de vazão e da desinfecção. A sequência está em como funciona a desinfecção na limpeza do poço.
  • Para a outorga: vale a lista do órgão estadual. No Rio Grande do Sul, o mesmo termo lista 31 parâmetros e laboratório cadastrado na Fepam. No Amapá, a Secretaria de Meio Ambiente pede laudo físico-químico e bacteriológico até na dispensa de outorga, se a água for para consumo. Veja os papéis que cada estado pede para regularizar o poço.
  • Para vender água por carro-pipa ou abastecer mais de uma família: o poço vira solução alternativa coletiva e precisa de autorização da autoridade de saúde, com ART, laudo dos parâmetros da portaria e plano de amostragem (arts. 15 e 16).

Passo 2: entenda o que cada análise mede

Microbiológica. Procura coliformes totais e Escherichia coli, as bactérias indicadoras da Portaria 888. A versão de presença ou ausência diz se há bactéria em 100 mL; a contagem diz quantas. Para o poço de uma família, o padrão é ausência de E. coli. Coliformes totais sem E. coli não indicam contaminação fecal, mas mostram que alguma proteção do poço falhou.

Físico-química. Mede o que está dissolvido ou em suspensão: pH, cor, turbidez, dureza, ferro, manganês, nitrato, fluoreto, cloreto, sólidos dissolvidos. Nitrato, fluoreto e arsênio pesam na saúde. Os números estão nos limites da Portaria 888 que mais pesam num poço e nos valores máximos permitidos. Metais como chumbo são cobrados à parte, e agrotóxicos ficam fora dos pacotes de laboratórios como o da UEM.

Técnica de laboratório, de costas, coloca uma cubeta com água de poço no espectrofotômetro para a análise físico-química
A físico-química mede o que está dissolvido na água, como nitrato, ferro, flúor e dureza.

Passo 3: escolha o pacote e confira o preço

Preços de tabelas públicas de universidades e de órgãos públicos, consultadas em 24 de outubro de 2026:

Análise ou pacoteO que medeQuando pedirPreço e fonte
MicrobiológicaColiformes totais e E. coli, presença ou ausência em 100 mLRotina anual, enchente, depois da limpezaR$ 53 (UEM); R$ 77 (UTFPR, set/2026); R$ 89 (Unoesc, mar/2025); contagem R$ 69 (UEM)
Físico-química básicapH, cor, turbidez, dureza, cloreto, sólidos; nas maiores, ferro, manganês, nitrato e fluoretoÁgua turva, amarelada ou salobraR$ 258 (UTFPR, sem nitrato, ferro e manganês); R$ 315 (UEM); R$ 565,21 (ORSE, ago/2026)
Potabilidade completaInorgânicos da Portaria 888 e coliformes, sem orgânicos e radioativosPoço novo ou primeira análiseR$ 308 (UTFPR, pacote parcial) a R$ 538 (UEM, R$ 485 + R$ 53)
Padrão de outorgaLista do órgão estadual; no RS, 31 parâmetros e laudo com parecerOutorga, renovação ou dispensaR$ 1.300 com coleta (Sapucaia do Sul, RS, 2025)
Metais avulsosChumbo, cádmio, cobre, zincoIndústria ou mineração perto do poçoChumbo R$ 60 e cádmio R$ 65 (UEM)
Kit de teste rápidoEstimativa de pH, cloro, dureza ou ferro por corTriagem e conferência do cloro do dosadorSem tabela pública; não vale como laudo

As tabelas da UEM, da UTFPR de Pato Branco e da Unoesc cobram só a análise. A ORSE, tabela oficial de Sergipe, traz custo de obra pública sem BDI. O termo de Sapucaia do Sul inclui coleta e laudo, como os orçamentos de perfuração; veja quanto a análise pesa no orçamento do poço.

Passo 4: decida entre kit de teste e laboratório

O kit vendido pela internet mede por cor: você molha a tira ou mistura o reagente e compara com uma cartela. Serve para triagem e para conferir o cloro de um dosador, não para declarar a água potável. A Portaria 888 exige metodologias de normas reconhecidas, como o Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (art. 22) e, nas análises de controle, laboratório com sistema de qualidade pela NBR ISO/IEC 17025 (art. 20).

No trecho registrado pelo SE Ranking, a página do Mercado Livre mistura “Kit Teste Completo Para Água De Poço” com kit de pH e cloro para piscina. Para outorga ou para beber sem tratar, só o laudo responde.

Kit de teste rápido com tiras reagentes e cartela de cores ao lado de um copo de água de poço
O kit dá uma estimativa por cor: ajuda na triagem, mas não substitui o laudo de laboratório.

Passo 5: escolha onde fazer a análise

Laboratório acreditado pelo Inmetro

No catálogo da Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio, filtre por estado e por classe de ensaio: “ensaios biológicos” para coliformes e “ensaios químicos” para a físico-química. Abra o escopo em PDF e confira se água e os parâmetros que você quer estão lá: a acreditação vale para os ensaios do escopo, não para tudo o que o laboratório faz.

Laboratórios de universidades

As três da tabela atendem pessoa física com preço publicado. A UTFPR de Pato Branco pede CPF, manda o resultado por e-mail e estima 15 dias, segundo a página de solicitação. Ligue antes: dias de recebimento e frascos variam.

LACEN e vigilância sanitária do município

O LACEN, laboratório de saúde pública do estado, trabalha para a vigilância. O manual de coleta do LACEN de Goiás, de janeiro de 2026, lista quem envia amostras: regionais de saúde, prefeituras, hospitais, Vigilância Sanitária estadual e SUS. O morador não está na lista.

O caminho público é a vigilância sanitária do município, que executa o Vigiagua, do Ministério da Saúde. Em Camboriú (SC), a prefeitura cadastra moradores do interior para coletas mensais e envia os resultados aos inscritos. Pergunte na sua cidade se a vigilância coleta em poço de casa, quais parâmetros entram e se o resultado sai por escrito.

Passo 6: colete a amostra sem estragar a análise

O LACEN de Goiás rejeita amostra acima de 10 °C, congelada, sem identificação ou com mais de 30 horas. O roteiro junta esse manual, a Funasa e as instruções de coleta da UEM:

  1. Peça os frascos ao laboratório. O da microbiológica é estéril, de 100 mL, com tiossulfato de sódio, que neutraliza o cloro. Não lave esse frasco.
  2. Use a torneira mais perto da saída do poço, antes da caixa d’água e de filtros.
  3. Ligue a bomba e deixe correr de 5 a 10 minutos para sair a água parada no cano.
  4. Limpe a torneira com álcool 70%, reduza o jato a um filete e abra o frasco só na hora, sem tocar na boca nem no lado de dentro da tampa.
  5. Encha a microbiológica até a marca, entre dois terços e três quartos do frasco.
  6. Para a físico-química, use frasco sem tiossulfato, enxágue três vezes com a própria água e encha até a boca, sem bolha. A UEM pede de 1,5 a 2 litros e aceita garrafa de água mineral sem gás.
  7. Anote data, hora e local em cada frasco.
  8. Leve em caixa térmica com gelo reciclável, até 10 °C, sem congelar. Funasa e UEM falam em 24 horas; o LACEN-GO aceita 30. Entregue no mesmo dia.

Passo 7: leia o laudo em linhas gerais

Confira, linha por linha:

  • Identificação: data e hora da coleta, ponto e origem da água.
  • Método: siglas como “SM 9223 B” remetem ao Standard Methods, aceito pelo art. 22 da portaria.
  • Limite de quantificação (LQ): o menor valor que o método mede. “Menor que o LQ” não quer dizer zero.
  • Resultado e VMP: cada linha deve trazer o valor máximo permitido e a norma. Confira a unidade do nitrato, que pode vir como nitrogênio ou como íon nitrato.
  • Microbiológica: E. coli ausente é o esperado; presente, não beba sem tratar. Coliformes totais sem E. coli pedem inspeção e nova coleta; veja o que fazer se der coliforme.
  • Parecer: se o laudo vier só com números, peça ao laboratório que explique o resultado.

Depois, corrija só o que deu fora: o tratamento depois do laudo muda conforme o parâmetro.

Mãos segurando o laudo dobrado da análise de água ao lado da laje de concreto do poço
Guarde o laudo com os papéis do poço: ele serve de comparação para as próximas análises.

Este conteúdo é informativo e não substitui o laboratório nem a vigilância sanitária. Resultado fora do padrão deve ser interpretado com o laboratório, a vigilância sanitária ou um profissional de saúde, em especial quando a água abastece bebês, gestantes ou pessoas com a saúde fragilizada.

Perguntas frequentes

Quanto custa uma análise de água de poço?

Em tabelas públicas consultadas em outubro de 2026, a microbiológica sai de R$ 53 a R$ 89 em laboratórios de universidades, e um pacote com físico-química e microbiológica, de R$ 308 a R$ 538. A análise no padrão de outorga do Rio Grande do Sul, com coleta e laudo, foi orçada em R$ 1.300 por uma prefeitura em 2025.

Onde fazer análise de água de poço de graça?

Não há serviço gratuito garantido em todo o país, e o LACEN não recebe amostra do morador. Algumas prefeituras incluem poços de casa nas coletas do Vigiagua, como Camboriú (SC). Pergunte na vigilância sanitária do seu município.

Kit para análise de água de poço funciona?

Como triagem, sim: dá uma estimativa de pH, cloro, dureza ou ferro pela cor. Não substitui o laudo, porque a Portaria 888 só aceita métodos de normas reconhecidas, e os órgãos de outorga pedem laudo de laboratório.

Quanto tempo demora o resultado da análise da água?

A UTFPR de Pato Branco (PR) estima 15 dias. Na tabela da Saneago aprovada pela agência reguladora de Goiás (texto consolidado de 2022), o prazo é de 5 dias para a bacteriológica e 10 dias para a físico-química de água de poço. Pergunte antes de coletar.

Preciso de análise de água para a outorga do poço?

Em vários estados, sim. O Amapá pede laudo físico-químico e bacteriológico até na dispensa de outorga, e o Rio Grande do Sul exige lista própria de 31 parâmetros. Confirme a lista no órgão do seu estado antes de coletar.

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Quem escreveu este guia
Sidney Paixão

Fundador do Guia do Poço e responsável pela redação. Os guias sobre poço artesiano e semiartesiano partem de normas técnicas, das regras dos órgãos que concedem a outorga de água e de manuais de fabricantes, com a fonte apontada no próprio texto e a data da última conferência no topo.